COMPRA DE VEÍCULO  

Posted by Denise Amorim

DIREITOS DO CONSUMIDOR
7 de Outubro de 2009
Idec dá dicas para o consumidor não entrar no vermelho na hora de comprar um veículo
Com facilidades de financiamento, ficou mais fácil adquirir um automóvel, mas é preciso tomar alguns cuidados para não entrar no vermelho

Medidas como a redução do IPI (Impostos sobre Impostos Industrializados) dos automóveis (válida até poucos dias atrás, a partir deste mês o imposto subirá gradativamente até dezembro), quedas nas taxas de juros e facilidades de financiamento vêm impulsionando as vendas de veículos neste ano. Apesar de torcer para a recuperação e o crescimento da economia, o Idec alerta sobre os riscos de endividamento e a oferta de crédito irresponsável e obscuro.

Só para se ter uma ideia do aquecimento desse mercado, o saldo das carteiras de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e leasing para financiamento de veículos para pessoas físicas chegou a R$ 149,4 bilhões em julho, representando um crescimento de 12,3% sobre o valor registrado no mesmo mês de 2008. Apesar de torcer para a recuperação e o crescimento da economia, o Idec alerta sobre os riscos de endividamento e a oferta de crédito irresponsável e obscuro.

Isso porque, mesmo com o Banco Central interrompendo a trajetória de redução dos juros no mês passado, analistas acreditam que as taxas de juros continuem caindo tanto para as empresas quanto para o consumidor. As estimativas levam em conta três fatores principais: a demanda por financiamentos, que tende a crescer com a retomada da economia; a competitividade entre os bancos privados no crédito para retomar o espaço perdido para as instituições públicas; e a expectativa de queda na inadimplência, recuperando perdas e liberando dinheiro para a concessão de novos financiamentos.

Por essa razão, o Instituto defende que o consumidor fique atento para não se deixar seduzir por promoções aparentemente tentadoras e fugir das ofertas de crédito e financiamento pouco transparentes, sem a informação do custo real do dinheiro, das taxas de juros extorsivas cobradas por bancos e financeiras de maneira direta ou indireta (por meio das redes de varejo).

Cautela na escolha da melhor opção

O ideal, na hora de comprar um veículo ou outro bem de alto valor, é pagar à vista e barganhar o máximo de desconto possível. Isso porque os juros nesse tipo de financiamento são elevados. Taxas acima de 3% ao mês, para financiamentos acima de 48 meses, por exemplo, devem ser evitadas. É preciso se certificar das taxas reais, compará-las antes de fechar o negócio e exigir um contrato.

Portanto, antes de optar por um financiamento, avalie aquele é realmente o melhor momento para a aquisição do bem, se a modalidade de crédito escolhida é a que oferece a melhor relação custo-benefício e se terá condições de manter os pagamentos em dia - considerando não apenas os primeiros, mas todos os meses e eventuais imprevistos que possam ocorrer. O ideal é deixar pelo menos 30% da renda livre para não se endividar.

Diante de um cenário de juros elevados e de variedade de linhas de crédito, é preciso comparar cuidadosamente todas as modalidades, sem se deixar levar pela publicidade que muitas vezes promete vantagens e benefícios irreais ou esconde algumas "armadilhas". Calcule os juros, o prazo, as condições de pagamento e as despesas de contratação.

Sem ter como pagar o carro

Atrasar prestações em dívidas de alto valor, como a compra de um veículo, pode acontecer com qualquer pessoa em momentos de desequilíbrio financeiro. Neste momento, não adianta adiar o problema, é melhor encará-lo de frente e tentar resolvê-lo o mais rápido possível, antes que vire uma bola de neve. Vender o carro para outro particular que esteja disposto e possa assumir o débito pode ser uma alternativa.

Como nem sempre é fácil conseguir um comprador nessas condições, outras opções são tentar renegociar a dívida com a financeira ou devolver o bem amigavelmente - o que apenas "ameniza" o problema. Isso porque, em ambos os casos, a empresa credora não tem obrigação legal de aceitar as propostas do consumidor, embora seja comum aceitarem um acordo.

Antes de escolher a melhor saída, o consumidor precisa avaliar criteriosamente sua real capacidade de pagamento. Caso haja possibilidade de se recuperar financeiramente alguns meses depois, ele pode tentar renegociar a dívida diminuindo o valor da parcela ou o total do débito. Só deve se lembrar que, ao reduzir a prestação e aumentar o prazo para pagamento, o valor total ficará mais caro no final.

Já a devolução do veículo é aconselhável quando o consumidor não vislumbra nenhuma forma de colocar as prestações em dia. Nesse caso, o Idec recomenda que ele faça um acordo por escrito com a financeira, descrevendo o bem e as condições contratuais.

Com a devolução, as parcelas que ainda não venceram devem ser abatidas com desconto proporcional de juros, já que são pagas antecipadamente (artigo 53 do Código de Defesa do Consumidor). No entanto, não há garantia de quitar a dívida. O carro é leiloado e o valor obtido na venda é usado pela financeira pra quitar as parcelas restantes. Caso esse valor seja maior que o débito, o cliente será restituído - o que nem sempre acontece. Mas se restar saldo devedor, o consumidor ainda terá de pagá-lo.

O Idec detalha e dá orientações aos seus associados sobre contratos de leasing e centenas de outros problemas de consumo. No setor de Autoconsulta do site, os associados têm acesso a informações sobre a legislação vigente e, inclusive, a modelos de cartas para defender seus direitos. Saiba como se associar e quais os benefícios.

FONTE: IDEC

This entry was posted on sexta-feira, 9 de outubro de 2009 at 15:25 . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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